9 de nov de 2008

Primeira Acusação

Antes de ler este artigo sugiro que você leia a introdução.
Quero desafiar os irmãos que forem comentar a apontarem pontos práticos que se encaixem na acusação feita, para crescimento conjunto de todos que lerem.


Dez acusações contra a igreja moderna

Por Paul Washer


Primeira acusação: uma negação prática da suficiência das Escrituras

. . Primeiro de tudo, a primeira acusação: uma negação prática da suficiência das Escrituras, especialmente na minha denominação, uma negação prática da suficiência das Escrituras.
2 Timóteo 3: 15 em diante diz:
. . “Porque desde criança você conhece as Sagradas Letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” (2 Tm 3:15-17)
. . Ao longo das últimas décadas tem ocorrido uma grande batalha no que diz respeito à inspiração das Escrituras. Agora, talvez, alguns de vocês não participam dessa batalha, porém muitos de nós, de denominações mais liberais, certamente temos uma batalha pela Bíblia.
. . Contudo, existe apenas um problema. Quando vocês, como um povo, chegarem a crer que a Bíblia é inspirada vocês terão lutado apenas metade da batalha. Porque a questão não é meramente se a Bíblia é inspirada. É ela inerrante? A grande pergunta que segue e que deve ser respondida: A Bíblia é suficiente ou será que temos que trazer todos os chamados estudos das ciências sociais e culturais, a fim de saber como funciona uma igreja? Essa é uma questão importante.
. . Ciências sociais, em minha opinião, têm tomado precedência sobre a Palavra de Deus de tal forma que a maioria de nós nem consegue sequer perceber. Elas penetraram de tal forma em nossa igreja, em nosso evangelismo e em nossa missiologia que você dificilmente pode chamar o que estamos fazendo de cristão. Psicologia, antropologia e sociologia se tornaram influencias primárias na igreja.
. . Vários anos atrás, quando eu estava no seminário lembro-me que um professor entrou na sala e começou a desenhar pegadas no quadro-negro. E enquanto ele as marchava através da lousa, ele se virou para todos nós e disse apenas isto: "Aristóteles está caminhando pelas salas desta instituição. Cuidado, pois eu escuto suas pegadas mais claramente do que as do apóstolo Paulo e da equipe de homens inspirados que estavam com ele e até mesmo do que as do próprio Senhor Jesus Cristo.”
. . Nós chegamos a acreditar que um homem de Deus pode lidar com determinadas pequenas áreas da vida da Igreja, mas quando as coisas apertam temos que ir para os peritos das áreas sociais. Isso é uma absoluta mentira. Diz aqui, nas Escrituras, que o homem de Deus seja equipado, adequado, equipado para toda boa obra.
. . O que Jerusalém tem a ver com a Roma? E o que nós temos a ver com todas essas modernas ciências sociais que foram criadas justamente como um protesto contra a Palavra de Deus? E por que razão é que evangelismo e missões e as chamadas “estratégias de crescimento para a igreja” são mais moldados pelos antropólogos, sociólogos e os estudantes de Wall Street que se alinham a cada tendência cultural?
. . Todas as atividades em nossa Igreja devem estar fundamentadas na Palavra de Deus. Todas as atividades em missões devem estar fundamentadas na Palavra de Deus.
. . A nossa atividade missionária, nossa atividade eclesiástica, tudo o que fazemos deve fluir de teólogos e exegetas, o homem que abre a sua Bíblia e tem apenas uma pergunta: “Qual é a Tua vontade, oh Deus?”
. . Nós não devemos enviar questionários para pessoas carnais a fim de descobrir que tipo de igreja eles querem freqüentar. A Igreja deveria ser “sensível ao que busca”, mas a Igreja deve reconhecer que só existe apenas um “buscador”. Seu nome é Deus, e se você quiser ser amigável com alguém, se você quiser acomodar alguém, acomode Ele e Sua glória, mesmo que você seja rejeitado por todas as outras pessoas. Nós não somos chamados para construir impérios. Nós não somos chamados para sermos exagerados. Somos chamados para glorificar a Deus.
. . E se você quer que a Igreja seja algo diferente do que um povo peculiar, então você quer alguma coisa que Deus não quer.
. . Eu quero que você escute só por um momento Isaías, capítulo oito. Ouçam o que ele diz: “Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram...” (Is 8: 19). Esta é uma definição perfeita, ou pelo menos uma ilustração, das ciências sociais e os gurus das “estratégias de crescimento para a igreja” e todo o resto, porque cada dois ou três anos todas as suas principais teorias mudam. Não apenas sobre o que é um homem ou como você o conserta, mas também o que é uma igreja e como você faz para ela crescer. A cada dois ou três anos há outra novidade que vem daquilo que pode fazer a sua igreja "super" aos olhos do mundo.
. . Recentemente um dos maiores e mais conhecidos especialista das “estratégias de crescimento para a igreja” disse que ele descobriu que ele estava completamente errado em toda a sua teoria. Mas, em vez dele voltar às Escrituras, de joelhos, quebrantado e chorando, ele sai para encontrar outra teoria.
. . Eles não dão qualquer palavra clara. Diz aqui em Isaías: "acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?” (Is 8: 19)
. . Devemos nós, como homens da igreja, como pregadores, como pastores, como cristãos, ir lá fora e consultar os mortos espiritualmente, em nome de todos aqueles que o Espírito Santo vivificou? Absolutamente não. Absolutamente não.

TraduçãoRevisão: Vinicius M. Pimentel (autor do blog Voltemos ao Evangelho)


11 | COMENTE AQUI:

Davi Luan disse...

Benção pura!

Lucas Louback disse...

Muito Bom

RICARDO S. SANTOS disse...

Discordo em parte desta idéia do irmão Paul Washer.
A igreja, como corpo invisível, não deve e não pode ser confundida e nem mesclada, em qualquer sentido, à instituições e/ou grupos que procedem de modo a colocar no primeiro grau de hierarquia de referência de fonte de regra de fé e prática (mesmo, de verdade), outra coisa se não a Palavra de Deus. Isso pode ser um costume de determinados grupos de redutos culturais (no caso, o norte americano); mas temos sim irmãos e irmãs que comprometeram-se com a palavra, de tal maneira que Deus é a coisa mais essencial para elas, sem barganhas, sem espera de trocas de qualquer espécie, pois isso não seria atração do evangelho, mas sim traição. Como consequência, estes adquiriram intimidade com o Altíssimo (lembra quando você andava muito com alguém, a tal ponto de ter as mesmas manias, gírias e segredos? intimidade...), e esta intimidade é que traz a certeza de estar mais perto do centro da vontade Dele.
As ciências sociais e outros tipos de ferramentas humanas, por serem humanas, podem podem ser usadas como pedras de apoio na subida ao monte santo. A diferença é saber quando pisar e se apoiar nelas, de modo a não resvalar os pés e cair, e ralar a cara no monte. Mas vos lembro que quando isso ocorre, é bom: é aí, nesta queda, é que nos seguramos no monte para não rolarmos ladeira abaixo junto com a pedra. Nos seguramos com unhas, pés e mãos. Nos machucamos, mas aprendemos a reconhecer quais são as pedras confiávesi e os momentos para usá-las. A subida ao alto, onde a cruz está, é longa, é árida, mas vamos pela sua sombra. À sombra da cruz de Cristo.
Como ferramentas e ciências então, são válidas neste âmbito, deste modo, tendo este discernimento, pois foi nos dada. Até para aqdquirirmos fé, antes temos de usar a razão, pois fé sem razão é algo irracional, e não seremos dignos de prestar culto nesta condição. E culto é o que somos no escuro: é como somos diante de Deus sem ninguém ver; nosso viver tem de ser consequência do que cremos.
Portanto discordo em parte. Isso não deveria ser uma acusação para a igreja, mas sim para os tais que assim o fazem.
RICARDO S. SANTOS
ricardo.mclaus@hotmail.com

(-V-) disse...

Caro Ricardo,

Primeiramente obrigado pelo seu comentário e que nosso Senhor possa ser engrandecido em tudo.

Em questão da Igreja:
“E se você quer que a Igreja seja algo diferente do que um povo peculiar, então você quer alguma coisa que Deus não quer.”
Concordo plenamente com você no que tange a Igreja de nosso Senhor, que irá ser apresentada santa e imaculada e repudio toda idéia de que “a igreja de hoje é uma prostituta”. O problema é que, hoje, qualquer pessoa que entra na igreja (quatro paredes) “nós” a declaramos de forma quase papal parte da Igreja (povo peculiar universal de Deus). E foi com uma pregação do irmão Paul Washer que entendi esses conceitos. Aliás, a sétima acusação é a seguinte: Uma ignorância sobre a natureza da Igreja; e fala justamente sobre isso.
Eu busquei fazer essa diferenciação colocando igreja com i minúsculo ou “igreja moderna”. Poderia talvez colocar os termos evangelicalismo (mas poucos sabem o que significa).
Outro ponto, é que ele está fazendo uma generalização. Ele não exclui que haja pessoas que amam a Palavra e a consideram como autoridade final. Contudo, esse não é o estado do evangelicalismo moderno, não só norte-americana, mas brasileira também, sim.
Mas, também, não podemos achar que a Igreja seja já perfeita, mas sim está numa crescente de graça sobre graça e fé sobre fé.

Em questão das Ciências Socais e afins:
Sola Scriptura deveria ainda ser na igreja moderna um firme pilar. E Sola Scriptura afirma que a Bíblia é a Palavra inspirada, inerrante e suficiente de Deus e deve ser a autoridade final da Igreja. Ou seja, se qualquer coisa da sociologia e filosofia contraria um princípio ou uma doutrina da Bíblia, então certamente deve ser rejeitado.
Só para exemplificar, coisas bem aceitas no meio evangélico, mas sem base bíblica:
- Tricotomia: provém da filosofia grega, contudo a bíblia não faz distinção entre alma e espírito.
- Bem inerente ao ser humano: provém da psicologia secular, contudo a Palavra declara depravação total.
- Auto-estima: provém da psicologia secular, contudo a Palavra declara que não há bem nenhum em nós e que deveríamos considerar a nós mesmos como nada e que o único que devemos estimar acima de tudo é Cristo. “Aquele que tentar achar sua vida perdê-la-á”.
- Felicidade: segundo a psicologia moderna, o homem deve encontrar felicidade em si próprio, contudo a Bíblia nos mostra que devemos ancorar nossa felicidade no que Cristo fez por nós e é para nós.
- Liderança: vemos mais livros de liderança no meio evangélico baseados no modelo corporativo do mundo dos negócios do que na Palavra.
E, assim, dá para ir continuar a lista.
“Diz aqui em Isaías: "acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?” (Is 8: 19)
Devemos nós, como homens da igreja, como pregadores, como pastores, como cristãos, ir lá fora e consultar os mortos espiritualmente, em nome de todos aqueles que o Espírito Santo vivificou? Absolutamente não. Absolutamente não.”


Voltemos Juntos ao Evangelho,
Vini

Diego Stein disse...

Vini!

Cara, seu blog é espetacular! Sempre estou por aqui vendo os vídeos, textos, etc...
Criei aquele blog (www.youthimpactblog.blogspot.com) para divulgar ainda mais esse tipo de trabalho...
Sou lider do Ministério Youth Impact, que é um ministério jovem na cidade de Indaiatuba SP.
Já passamos 2 ou 3 videos seus em nossa igreja...
Agora dei uma parada no blog pois estamos montando um site mesmo, ae entrarei em contato.
Vou pedir um banner seu para colocarmos em nosso site, ok?
Que Deus continue te abençoando!
Fica na paz!

RICARDO SANTOS disse...

Entendo. Por isso mesmo coloquei o termo "discordo em parte". Lembrando que Sola Scriptura sempre será a base de avivamento e renovação de mentes na igreja sim. E é baseado neste pilar, aprendendo a viver o Sola Scriptura como algo natural do cristão, é que aplicamos o filtro a qualquer cosmovisão vigente no sistema mundo e outros "ismos" que possam vir a se infiltra na igreja.
Não se aprende, na casa da moeda, a descobrir notas falsas estudando as falsas, mas conhecendo bem as verdadeira. Não se aprende a defender e praticar a verdadeira fé aprendendo sobre as distorções, mas conhecendo profundamente Sola Scriptura, que produz Sola Fide, que traz Soli Deo Gloria.
A paz.

(-V-) disse...

"Sola Scriptura, que produz Sola Fide, que traz Soli Deo Gloria."
Perfeito.
^^

Carlos disse...

A qual Pregador ele se referia quando disse que se arrependeu de sua teoria??

(-V-) disse...

Provavelmente ao Bill Hybels.

Liliana disse...

Bem interessante o texto postado e muito interessante também os argumentos expostos nos comentários. Lendo o texto, acabei por relacioná-lo ao que tenho visto e vivido em um novo contexto de "igreja" que tem se moldado na minha região.
Alguns dias atrás, fiquei muito preocupada exatamente com esta questão de alguns "ismos" que estamos adquirindo, além de indicação de autores e livros que abordam temáticas como: "enriquecimento", "liderança", "estima", etc.
Pessoalmente, foi difícil ouvir um pregador influenciado por estes assuntos declarar diante de uma multidão que quando somos crentes, obrigatoriamente devemos ser ricos (experiência pessoal).
Acho que essa discussão é relevante em vários aspectos, mas principalmente no que concerne à uma retomada dos princípios bíblicos.

fofys disse...

"A qual Pregador ele se referia quando disse que se arrependeu de sua teoria??"
Acredito que pode ser Cesar Castellanos.

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Muito obrigado pela leitura e pelo comentário,

"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."
Agostinho de Hipona


Voltemos juntos ao Evangelho,
Vini